Por que Estudar ainda é a maior Rebeldia Negra?

Medium | 06.01.2026 22:06

Por que Estudar ainda é a maior Rebeldia Negra?

preta.

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A história que o livro didático não te conto, os dados que o RH esconde e por que o seu diploma é um projeto coletivo de 60 anos.

​O Estudo como Ferramenta de Liberdade: O que eles queriam esconder
​Se você sente que uma escola ou faculdade às vezes parece um "território hostil", você não está perdido. Historicamente, a educação formal foi concebida como um instrumento de controle.

​Antes do "encontro" proposto com a Europa no século XV, o continente africano já era o berço de universidades e centros de saber que integravam astronomia, medicina e filosofia através da tradição oral e das grandes mesquitas-escola. Mas, no Brasil de 1854, o Decreto 1.331 foi direto: escravizados não podiam pisar em escolas públicas. E para os negros livres? Criaram-se barreiras invisíveis como a exigência de "boa conduta" — um código subjetivo para dizer "você não pertence aqui".

​Mesmo após 1888, a "abolição" foi um contrato sem cláusula de integração. A escola virou um projeto de branqueamento, onde nossa cultura era demonizada. Por isso, hoje, quando você abre um livro, você não está apenas estudando para o mercado; você está praticando a emancipação intelectual .

A gente não pediu, a gente conquistou.
Muita gente acha que as cotas caíram do céu. Errado. Elas foram arrancadas pelo Movimento Negro . O jogo virou em 2001, na Conferência de Durban, e depois com o pioneirismo da UERJ e da UnB.

A Lei 12.711/2012 mudou a "vibe" dos corredores universitários. Na USP, por exemplo, o número de alunos negros e indígenas quadruplicou em uma década. Isso é importante porque:

​Negro na ciência desafia a ideia de que fomos feitos apenas para a base da pirâmide.

Líderes negros em cargas de gestão criam políticas de inclusão porque sabem o que é enfrentar o racismo estrutural no dia a dia.

" Onde eu moro, o negro ocupa lugares de baixo escalonamento. A cota foi a fresta na porta que eu chutei para entrar." — Relato do Portal Gov.br.

O que dizem os números.
​A educação triplica seu potencial de ganho, mas não faz o racismo desaparecer do RH. Se liga nos dados do Instituto Locomotiva e do IBGE (2023/2024) :

  • Um diploma de ensino superior faz a renda média saltar de R$ 1.600 para R$ 4.800 . Para mulheres negras, é a única saída real contra a precarização do trabalho doméstico.
  • Mesmo com o mesmo diploma, ganhamos 31% menos que os brancos. Por quê? Pelo racismo estrutural:
  • Viés Inconsciente: Chefes que "não veem" negros como líderes.
  • Networking : O famoso "quem indica" ainda circula em círculos majoritariamente brancos.
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Consciência Crítica: Conhecimento é o novo Poder
A Lei 10.639/03 não é sobre "dados comemorativos", é sobre autoestima. Estudar impérios como o do Mali ou a resistência dos quilombos ensina que nossa história não começou no porão de um navionegreiro.

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Como dizia Angela Davis , o letramento crítico permite que a gente deixe de ser o objeto de estudo dos outros para sermos os sujeitos de nossa própria narrativa. É sobre ter repertório para desmontar o racismo no argumento.

Referências: Quem veio antes de você
​Se você acha que está sozinho, olha quem já pavimentou esse caminho:

  • Milton Santos: O cara que explicou a globalização para o mundo sendo um geógrafo negro brasileiro. Ele disse que a alienação vem de não conseguirmos interpretar o que acontece com a gente.
  • Nilma Lino Gomes: Primeira reitora negra de uma federal. Ela provou que a pedagogia pode ser uma arma de estado.
  • Sueli Carneiro: A filósofa que deu nome ao "epistemicídio" (o assassinato do nosso conhecimento).

Relato de Impacto: "Meu diploma é a conclusão de um projeto de 60 anos da minha família para que alguém pudesse ser chamado pelo nome, e não por apelidos pejorativos."

Sobreviver para se formar
O desafio mudou. Entrar na faculdade foi uma vitória de ontem. Permanecer e se formar é a guerra de hoje. precisamos de bolsas, auxílio-transporte e moradia. Sem isso, o racismo econômico nos vence pelo cansaço.

Call to Action: Não desista do curso. Seu diploma é um quilombo intelectual. Investir na sua permanência é investir no futuro de um Brasil que finalmente se olha no espelho.

Referências para você aprofundar:
IBGE : Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil (2023).

Instituto Locomotiva: Pesquisa sobre Diversidade e Renda no Mercado de Trabalho.

  • Livro : A Ditadura do Branqueamento , Abdias Nascimento.
  • Lei 12.711/2012 (Lei de Cotas) e Lei 10.639/03 .
  • Portal Geledés: Acervo das trajetórias de mulheres negras.